Introdução
Os Australopithecus
Irradiação Territorial
Evolução Anatömica
O Gênero Homo
Evolução Cultural
Os Neandertais
Homo sapiens

Quando se fala em homem de Neandertal, como em qualquer outro nosso antepassado, surgem muitas dúvidas em relação à existência e modo de vida destes seres.

Foi durante o século passado, em 1856, que se encontraram os primeiros vestígios de um ser vivo muito semelhante ao homem moderno. Estes fósseis foram encontrados na Alemanha, Vale de Neander que deu o nome à espécie. A princípio estes achados não tiveram grande importância na comunidade científica até à revolução que Darwin introduziu com a teoria da evolução das espécies. Devido à sua localização européia houve um maior empenho no estudo destes fósseis sendo recolhidos em grande número.
As datações mais recentes revelam-nos uma idade de cerca de 200 mil anos para o aparecimento dos Neandertais terminando a sua existência num misterioso desaparecimento por volta de 30 mil anos. Povoaram toda a Europa e parte da Ásia, pois encontramos vestígios desde a costa oeste de Portugal até ao Extremo Oriente.
Apesar de vários fósseis levarem os cientistas a traçarem o homem de Neandertal como um ser animalesco, essa concepção está hoje ultrapassada. Aliás se encontrássemos hoje em dia um Neandertal vestido na rua passaria despercebido como se um de nós se tratasse.
Fisicamente era robusto e atarracado, possuía também uma caixa craniana bastante volumosa o que leva crer que eram inteligentes.
Viveram na Europa durante as últimas glaciações, períodos de frio intenso intercalado com períodos amenos conseguindo sempre sobreviver. Sobreviveram inteligentemente construindo cabanas e roupas e utilizando também o fogo. Desenvolveram uma nova técnica de fabrico de ferramentas, o Musteirense, que permitiam um melhor fabrico e especificidade dos utensílios
O homem de Neandertal foi também o pioneiro da religião, acreditava na vida além da morte, prova disso é a inumação dos mortos. A inumação dos mortos é também responsável pelo grande número de achados, pois é mais fácil a conservação, não estando esta dependente do acaso.
Em resumo, muito se sabe sobre o Homem de Neandertal mas muito mais ainda está por descobrir; eram seres inteligentes, fortes, viviam numa sociedade mais ou menos complexa e eram capazes de comunicar entre si. Porquê então o seu desaparecimento?

LOCALIZAÇÃO


Um pouco por toda a Europa e em parte da Ásia aparecem jazigos fósseis de Neandertais.
É o primeiro antepassado do homem atual que é exclusivo da Europa e parte da Ásia. Não aparecem vestígios desta espécie na África. Dominaram a Europa durante 170 mil anos.
Em grupos com mais ou menos 30 indivíduos espalharam-se pela Europa até ao nível de Inglaterra e também na Ásia Ocidental e Central.
Há países onde a quantidade de registros fósseis é maior como a França, Itália e a Bélgica, mas existe um rasto de jazigos fósseis que atravessa a Europa desde a costa atlântica de Portugal, a oeste, até à Rússia, a Leste. Devem ter habitado também a parte Sul da Europa pois encontram-se vestígios no Próximo Oriente.

CARACTERÍSTICAS GERAIS


Há cerca de 400 a 200 mil anos surgiram alguns crânios que apresentavam uma mistura de caracteres de Homo erectus e caracteres de Homo sapiens. Estes crânios foram encontrados na Ásia e Europa e representam uma espécie de transição, de elo entre o Homo erectus e o Homo sapiens. Possuíam umas arcadas supraciliares, a face larga do Homo erectus e a grande capacidade cerebral do Homo sapiens.
O primeiro esqueleto mais ou menos completo a ser encontrado pertencia a um idoso que porventura sofria de artrite. Pelo fato dos especialistas não se aperceberem da existência da doença foram criadas falsas imagens do homem de Neandertal. Pensava-se que possuía ombros largos, que em vez de caminhar arrastava-se e que era completamente obtuso.
Foi com a descoberta de mais achados que se chegou à conclusão que os Neandertais saudáveis eram idênticos e caminhavam como nós usando igualmente bem as mãos.
O homem de Neandertal estava perfeitamente adaptado ao bipedismo. Possuía um aspecto musculado, devido aos seus ossos das pernas serem arqueados e as articulações grandes. Era entroncado e a sua altura média oscilava entre 1.50m. e 1.70m.
A face era alta com uma abertura nasal larga e um nariz comprido, possivelmente para providenciar uma maior área interna de modo a ter humidade para o frígido e seco ar que respiravam. As sobrancelhas eram espessas e salientes. Apresentavam características protuberâncias dos lados e na região occipital.
A nível do esqueleto possuíam uma elevada robustez associada a uma forte musculatura, o que lhe permitia deitar abaixo um bisonte ou um alce.
Faltavam-lhes os fortes queixos e as testas elevadas do homem moderno, o que lhes proporcionava um crânio inclinado para trás.
Tinham um crânio volumoso e alongado no sentido ântero-posterior, com forma ovóide quando observado em norma superior e achatado ao alto como o do Homo erectus. Era mais largo e com um tamanho médio, superior ao do homem moderno. No entanto o fato de ser maior não implica mais inteligência.
Alguns entendidos dizem que para poderem coordenar toda a sua massa corporal necessitavam de um maior número de células cerebrais.
A capacidade craniana era elevada, cerca de 1400 c.c., mas varia em determinados achados. Esta característica pode estar relacionada com a disposição, musculatura e robustez do aparelho de mastigação ou com a espessura da parte do crânio ósseo(Trinkaus e Howells-1979) . A caixa craniana é mais baixa, o que acentua o aspecto primitivo.
O rosto não tem maçãs salientes e a bochecha descia para a inflexão do olho ao canto dos lábios. Na configuração da face, o nariz e as maxilas são proeminentes de tal forma que os malares se apresentam alternos, daí resultar que os dentes estavam implantados muito mais para frente do que no homem moderno resultando daqui a ausência de queixo.
Os dentes tinham a mesma forma geral dos nossos mas eram mais grossos. Os caninos são de tamanho normal, proporcionados ao resto da dentição, geralmente não possuíam dentes incisivos. No Neandertal. ocorreu uma diminuição sensível dos dentes em relação ao Homo erectus. Os neandertais usavam freqüentemente a dentição anterior para fins não mastigadores.
As faces projetadas para frente e os membros musculados levam a pensar que se tratavam de adaptações para resistirem ao frio. O rosto em forma de "focinho" era para evitar as ulcerações pelo frio. Os seus corpos atarracados diminuíam as perdas de calor.
O homem de Neandertal era dotado de dextrismo e duma elevada e eficiente capacidade de trabalho manual.
É todo este conjunto de caracteres que se tornam particulares do homem de Neandertal e que permitem distingui-lo quer do Homo erectus quer do Homo sapiens.



 

LINGUAGEM


O homem de Neandertal pelo fato de fabricar ferramentas bem como o organizar caçadas, tratar dos doentes e dos fracos leva a crer que possuía a capacidade de comunicar e fazer passar os seus conhecimentos através de uma linguagem rudimentar.
Tal como no homem moderno o seu cérebro ainda mais volumoso, talvez distintamente organizado em certos domínios lhe permitisse o uso da linguagem. A forma da face e as marcas dos músculos da língua levam-nos a pensar que a mímica e os movimentos da palavra eram muito mais pobres do que os usados por nós.
No homem moderno as cordas vocais estão suspensas por um osso designado de hióide que se encontra atrás da língua. Em 1983 foi encontrado um hióide intacto de um Neandertal com 60 mil anos, escavado na gruta de Kebara em Israel. Yoel Rak especialista em hominídeos da Universidade de Telaviv diz "Não Há forma de o distinguir de um dos nossos ossos hióides, por isso podemos concluir que as cordas vocais do Neandertal eram bastante semelhantes às nossas e que poderiam emitir os mesmos sons."
Talvez a linguagem dos Neandertais não fosse tão complexa como a do homem moderno mas no entanto conseguiam falar uns com os outros.

AMBIENTE


O homem de Neandertal viveu numa época em que se deram no nosso planeta grandes períodos de frio intenso, períodos glaciais. Estes períodos eram intercalados com períodos de tempo mais quente ou interglaciários
Durante um período glacial há fases frias intercaladas com outras mais quentes, em que estas fases podem ser tão moderadas que cheguem a ser mais temperadas do que as fases interglaciárias. Neste período há pouca circulação de água no estado liquido, as calotes geladas dos oceanos têm a expansão máxima e dá-se a descida do nível das águas do mar.
A paisagem assemelha-se às estepes geladas da atual Sibéria. Ao longo dos cursos de água e em locais abrigados dos ventos continentais havia provavelmente floresta.
Assim pode-se encontrar uma multiplicidade de caça grossa, como o mamute e a rena. Os rios alimentados pelo degelo glacial são propícios ao desenvolvimento de trutas e salmões. Apesar do frio intenso os Neandertais poderiam assim obter os recursos necessários à sobrevivência.
Nos períodos interglaciários as calotes polares diminuem, há uma maior circulação de água no estado líquido e uma subida das águas do mar.
Como a temperatura se torna relativamente elevada dá-se um desenvolvimento da cobertura vegetal, havendo também uma fauna de clima temperado como o bisonte, o auroque e o veado .Assim os Neandertais passariam menos fome durante este período pois tinham mais vegetação e uma maior oportunidade de caça.




A CAÇA


Cientistas apontam que estavam longe de ser primitivos lentos de espírito, tinham de ter meios para abater uma presa tão veloz. Eles tinham de matar através de cooperação. "Rodear e confundir a presa é uma táctica predadora clássica" diz Kuhn. "Alguns caçadores cooperativos poderiam ter utilizado alguns aspectos característicos da paisagem, como por exemplo os pântanos e margens fundas de rios que deixavam os grandes animais em desvantagem. Provavelmente eles matavam-nos a pouca distância com lanças de madeira que tinham, provavelmente, uma pedra afiada na ponta".
Os muitos ossos desenterrados em Biache-Saint-Vaast eram, inicialmente, de ursos das cavernas e auroques, tipo bois selvagens com longos chifres que estão agora extintos. Muitas das patas de urso têm marcas de golpes no osso, que indicam que os Neandertais removiam as peles com as suas lascas afiadas.
Há quem afirme que estas chacinas mostram que estas pessoas eram mais avançadas, por implicar que caçavam em grupos. Muitos dos ossos pertencem a jovens adultos auroques que eram muito fortes e perigosos. Animais dessa idade normalmente não morrem em tão grande número. Para humanos matarem mamíferos tão grandes, antes dos arcos e das flechas serem inventados, precisavam de um grupo e de uma estratégia.
Eles tinham de competir pela comida com outros predadores como lobos, hienas e leões. Há medida que as suas técnicas de caça se desenvolveram os Neandertais podiam começar a perseguir as presas que os outros carnívoros evitavam – grandes alces, bisontes e até mesmo mamutes cuja carne gorda era mais enérgica. Com dietas enriquecidas as populações Neandertais provavelmente expandiram-se aumentando o seu impacto noutras espécies, mas aos Neandertais faltavam armas elaboradas.
"Descobertas juntamente com outros utensílios de pedra e com restos de mais de dez cavalos, as lanças sugerem que a caça sistemática, envolvendo precaução, plano e uso de tecnologia apropriada, fazia parte da atividade comportamental dos hominídeos pré-modernos", escreveu Thieme.
A lança mais antiga encontrada antes da descoberta anterior tinha aproximadamente 125 mil anos. Para muitos antropólogos o homem de Neandertal era essencialmente colector comendo carne esporadicamente–carcaças de animais mortos que descobria ou pequenas criaturas que armadilhava. As lanças atualmente encontradas evidenciam que a caça era uma atividade importante para a sua subsistência.

SOCIEDADE


A caça não era a única forma de cooperação praticada pelos Neandertais. Eles estavam unidos em pequenos grupos sociais, como nos é ilustrado pela coleção de esqueletos da caverna de Shanidar no Iraque.
Eles tiveram, claramente, uma vida difícil. Para os que chegassem à idade adulta a esperança média de vida era de 30 anos. Estas pessoas estavam sempre, os mais velhos provavelmente morreram a tentar acompanhar o grupo, eles não conseguiam chegar aos abrigos para serem sepultados.
Análises aos ossos descobriram finos cortes, e fraturas invulgares sugeria que os Neandertais praticavam canibalismo, ou por fome ou por alguma espécie de culto da morte. Mas achados noutra caverna Croata sugere um lado bem mais de compaixão dos Neandertais. Um fragmento de esqueleto perto de uma rocha abrigo dos Neandertais mostra uma séria ferida que ficou sarada, alguém tomou conta da vitima por muito tempo.
Ele organizavam grupos de caça e tomavam conta dos doentes e fracos o que sugere uma organização social mais complexa do que se pensava. Já se aceita que eles falavam uma linguagem rudimentar.
"Os Neandertais eram cheios de recursos e criaturas extremamente inteligentes" diz Fred Smith, um especialista de Neandertais de Northern Illinois University. "Eles eram como nós, só que diferentes."
Viviam e morriam pelas regras de carnívoros sobrevivendo como animais numa desagradável terra fria.

Religião / Canibalismo - (culto dos mortos)


Há cerca de 100.000 anos atrás em Shanidar, um homem, duas mulheres e uma criança foram enterrados juntos. Escavadores encontraram pólen de flores silvestres no solo á volta dos cadáveres. "Penso que as flores foram postas à volta deles pelo resto dos membros do grupo social. Isto sugere que eles pensavam e preocupavam-se com os seus mortos." Diz Erik Trinkaus.


Em Atapuerca os antepassados do Neandertal não deixaram marcas de que sentissem tais emoções. Talvez os últimos Neandertais eram como nós, reconheciam que tinham um vazio nos corações deles.
Os povos primitivos foram levados a criarem crenças para os proteger da morte. Esta preocupação confere aos Neandertais a sua parte de humanidade.
Foram encontradas em La Ferrassie, algumas sepulturas arranjadas com oferendas de sílex bem trabalhadas. Em Arcy-sur-Cure foi encontrado um esqueleto que em vez de ser enterrado pelos seus companheiros, provavelmente, foi objeto de um banquete de despedida;
No crânio do homem do vale do Neander foram encontradas marcas de golpes. Alguns peritos acreditam que as marcas foram feitas depois do crânio ser encontrado. Mas Ralf W. Schmitz Afirma que os cortes foram feitos pelos outros Neandertais, após a morte do homem, para lhe retirar o escalpe. Será isto mais uma prova de que os Neandertais eram canibais?
Contrariando a teoria do Schmitz, de que sendo canibais teriam esmagado os ossos dos membros para lhe sugar o tutano, os ossos deste homem permaneceram intactos. Por isso Schmitz suspeita que os Neandertais cortaram o seu escalpe durante uma espécie de ritual.
O canibalismo aparece mais evidenciado na Croácia, onde marcas de golpes aparecem em muitos dos ossos encontrados em Krapina e Vindija. Aqui os Neandertais esmagavam os osso de muitos dos seus mortos.
No museu de história natural em Zagreb, está exposto um fêmur partido pelo eixo longitudinal, um pedaço de osso temporal gravado por marcas de golpes. "Simplesmente não sabemos se isto representa um canibalismo ritual ou se estas pessoas tinham um gosto particular pelos seus semelhantes, por assim dizer", afirma Smith.
"Penso que era um modo honrado de tratar os mortos", diz Jakov Radovcic. "Os ossos de animais nas suas cavernas sugerem que havia muita caça." Daí que não se entenda porque é que se comiam uns aos outros.
Outros pensam que se partir os ossos fosse parte do ritual então todos os ossos deveriam estar partidos, mas apenas encontramos esmagados ossos longos dos membros, que contêm muito tutano.
> White refere que os Neandertais mantinham o mesmo padrão de golpes tanto nas suas presas como nos seus semelhantes. Além disso, essas marcas referidas nos ossos de Krapina e Vindija, locais ocupados durante intervalos de tempo com milhares de anos de intervalo. Ele prefere ver o canibalismo como uma variedade de formas de os Neandertais se manterem a vê-lo como um ato ocasional e desesperado de humanos esfomeados.

HÁBITOS ALIMENTARES


As marcas deixadas nos dentes pelos alimentos fornecem informações bastante importantes. Estas permitem-nos chegar a conclusões necessárias para um melhor conhecimento do homem de Neandertal.
Com os Neandertais coexistiram a rena, os mamutes e ursos que lhes forneciam muita carne. Para conseguirem comida os Neandertais não ficavam muito tempo no mesmo local, deslocando-se de acampamento em acampamento. Os restos de comida demonstram que tinham uma dieta variada, mas preferiam dedicar-se à caça de animais
Num determinado jazigo foram descobertos alguns ossos de ursos jovens enquanto noutros lugares eram encontrados ossos de mamutes jovens. No entanto a principal dieta consistia em carne de cavalo selvagem e de rena. Os pântanos e os rios forneciam peixes e tartarugas.

ARTE / UTENSÍLIOS


No passado os Neandertais eram considerados sub-humanos de pouca inteligência que tinham perdido a capacidade de falar e que eram pouco inventivos. Atualmente com as novas descobertas passou a pensar-se que entre os últimos Neandertais já existia um certo rudimento de sentido artístico ou religioso dado que foram encontrados objetos de coleção e um pouco de ocre nas suas habitações.
O Neandertal situa-se na época do Moustier (Mustierense ): utensílios caracterizadas por pontas e raspadores talhados de um só lado, ausência de raspadeiras, persistência dos ‘machados’ (bifaces) mas freqüentemente mais planos que os anteriores.


As industrias líticas do Paleolítico Médio português são majoritariamente feitas a partir de matérias-primas existentes no local ou nas imediações próximas de cada local habitado. Quando abunda o quartzito ou o quartzo são esmagadoramente utilizado, em locais onde o sílex predomina não o é dessa forma.
Armas de caça, nomeadamente lanças, encontradas em bom estado de conservação vêm confirmar que os homens de Neandertal não eram homens das cavernas primitivos mas sim detentores de um determinado grau de cultura. Caso contrário eles não teriam sido capazes de esculpir as lanças de madeira, processo que exige um certo planejamento e paciência.
Um outro indício de um pensamento artístico são os bocados de ocre, conchas fósseis e pedras de formas curiosas encontradas em grutas de neandertalianos tardios.
Os Neandertais certamente trabalhavam o sílex criando facas, raspadores, pontas aguçadas e lâminas. Uma lança de madeira com, aproximadamente,2,60m de comprimento foi descoberta, juntamente com ossos fossilizados de elefante, num pântano na Alemanha em 1948.
Sabemos que usavam o fogo para se aquecerem. Em algumas cavernas o chão era constituído por espessas camadas de cinza comprimida. As suas lareiras eram simples, parecendo-se mais com fogueiras do que com as eficientes lareiras, forradas de pedras, criadas pelos humanos recentes.
Em Combe Grenal descobriu-se um buraco de poste que comprova a construção de abrigos pelos Neandertais.
Estes assemelhavam-se a tendas de índios;.estruturas de madeira ou osso cobertas com peles de animais.
Provavelmente vestiam-se com couro descosido porque não foram encontradas ferramentas de costura.
À primeira vista as ferramentas Neandertais- geralmente lascas de pedra com bordos afiados- podem parecer meros pedaços de rocha partidos ao acaso com outra. Na realidade, era possível que eles viajassem muitos quilômetros para encontrar os pedaços de sílex ideais.
Em Vézére Valley, no sudoeste de França, foi descoberto junto a vários ossos um machado que, no cabo, continha entalhes onde encaixavam os dedos facilitando o seu uso, como se trata-se de um prolongamento da mão. "Esta era uma ferramenta multi-usos", diz Jean Michel Gemeste. "Diferentes bordos eram usados para finalidades distintas- cortar, triturar, raspar e descarnar. Era o canivete suíço da altura. Daqui podemos tirar muitas informações. Podemos detectar 300 marcas no machado, cada uma feita durante a sua moldagem. Sabemos como ler as marcas no machado e assim reconstruir a forma como o machado foi talhado...".
Em Tata (1958) na Hungria foi encontrado um dos poucos objetos de arte que restaram - um dente de mamute esculpido, datado entre 80 a 100 mil anos. Tinha forma oval, sulcos com ocre e lados biselados. Dado que não tinha nenhuma utilidade prática, não se considera uma ferramenta. Julga-se que, por ter dado tanto trabalho, teria um certo significado espiritual. "Tenho a certeza de que foi polido por humanos" diz Viola Dobosi. Seria isto um amuleto de Shaman ou de curandeiro?
Até há pouco tempo a grande parte dos especialistas pensava que apenas os humanos modernos criavam este tipo de objetos simbólicos ou ritualistas. No entanto, os homens modernos ainda não tinham chegado à Europa.
O estudo destas ferramentas leva os investigadores a aumentar os conhecimentos das capacidades tecnológicas dos Neandertais. Isto representa um dos poucos acessos à mente destes nossos antepassados.
Na Columbeira e na Figueira Brava aparece uma numerosa industria lítica algumas das quais com lareiras.

EXTINÇÃO


A extinção dos Neandertais é algo que ainda não está completamente explicado; nos anos 80 foram descobertos vestígios de homens anatomicamente modernos que foram datados com 90 mil anos. Os fósseis de Neandertais mais antigos descobertos têm aproximadamente 200 mil anos e os mais recentes 30 mil anos. Estes fatos levam os paleontólogos humanos a acreditar que eles coexistiram, na Europa, com os homens modernos. As várias teorias explicativas do desaparecimento destes homens baseiam-se nesta coexistência. A sua substituição por outra população, tendo em conta o tempo que demorou o seu desenvolvimento, pode ser considerado "abrupta" (TRINKAUS e HOWELLS 1979).
Da história recente depreende-se que o confronto, destas duas subespécies, pode não ter sido pacífico. É possível que os homens modernos tenham "esmagado" os Neandertais com as suas técnicas inovadoras. Mas disto não há grandes provas, não foram encontrados vestígios de genocídio.
Fred Smith e Milfor Wolpoff, tendo como fundo os ossos fósseis descobertos em Vindija que revela ser um pouco mais finos que os dos Neandertais típicos, apóiam a hipótese da fusão genética, ou seja, para eles houve um intercruzamento entre homens modernos e Neandertais e a de que os genes Neandertalenses ainda se encontram nos europeus de hoje. Contra esta teoria está Fred Spoor que, baseando-se no estudo dos crânios de ambos os povos, conclui que indivíduos com características tão diferentes não se poderiam cruzar e originar descendência fértil. Ainda para apoiar esta idéia há o facto de nunca terem sido encontrados fósseis com características de ambos.
Outros autores crêem que não houve nenhuma ligação mais estreita entre eles. Segundo estes os Neandertais ter-se-iam isolado e praticado uma forte endogamia, levando ao enfraquecimento do grupo e consequente degeneração da espécie.
O abaixamento da temperatura pode ter sido um factor importante que levou ao refúgio e isolamento no Sul de Espanha e Sudoeste Português, onde foram encontrados os seus mais recentes vestígios.
Emilliani(1968) acredita na possibilidade de que um surto de doenças bronco-pulmonares poderia ter posto fim à sua existência.
Por outro lado, Leiberman e Crelin (1971) julgam que esta extinção possa ser devida a limitações anatomo-fisiológicas à comunicação.
Dado que o homem de Neandertal viveu durante as glaciações de Riss e Würm e respectiva interglaciação, alguns autores, Sergi (1953) Howells (1957) e Le Gros Clark (1966), defendem que o homem de Neandertal foi nada mais do que uma especialização do Homo sapiens a um ambiente frio.
Para Echwalbe (1904) Hrdlicka (1930) Weidenreich (1943) e Trinkaus (1973) o Homo sapiens neanderthalensis foi um acidente da evolução mas acreditam, juntamente com Vallois (1954) Weiner (1958) Leakey (1972) Howells (1975) Michael Day (1977) e Mendes (1985), que ele constitui um elemento indissociável das linhas evolutivas do homem.
É neste contexto de desaparecimento enigmático que surge a única ideia que contraria a extinção (DREIMAN 1982): Terão os Neandertais se perpetuado nas populações primitivas da Sibéria?