Introdução

Os artrópodes são animais triblásticos, protostômios e celomados. São metamericamente segmentados, bilateralmente e simétricos, com o corpo organizado em cabeça, tórax e abdome ou cefalotórax e abdômen. Apresentam apêndices ou patas articuladas e exoesqueleto quitinoso; sistema digestivo completo, sistema circulatório aberto e lacunar sistema nervoso formado por gânglio cerebral e cadeia ganglionar ventral.

Os artrópodes constituem o maior grupo de organismos quanto ao número de espécies; estas são extremamente bem-sucedidas na exploração dos mais variados ambientes terrestres, aéreos, de água doce e marinhos. Trata-se de um grupo muito diversificado, incluindo-se entre seus representantes os insetos, aranhas, escorpiões, caranguejos, camarões, além das centopéias, lacraias e piolhos-de-cobra.

Características gerais

Apesar de sua grande diversidade, todos os artrópodes exibem, em comum, as seguintes características:

Exoesqueleto: 

A cutícula de revestimento desses animais é formada por proteína e quitina, que é um polissacarídeo nitrogenado (C8H18O5N) insolúvel na água, álcool, alcalis, ácidos diluídos, ou pelos sucos digestivos de outros animais.

Como o esqueleto é bastante rígido, necessariamente limita o tamanho desses animais. São necessárias mudas ou ecdises periódicas para permitir o aumento de tamanho. A maioria dos artrópodes passa por 4 a 7 mudas até atingir o estágio adulto. A pele abandonada recebe o nome de exúvia.


Por possuírem revestimento externo rígido, os artrópodes apresentam crescimento descontínuo, por meio de mudas ou ecdises (induzidas por hormônio: a ecdisona). 

Pode-se verificar, no gráfico acima, que correspondente a de um artrópode, onde observa-se que seu crescimento não é linear, mas ocorre "em saltos". A cada período de muda, libertando-se da antiga armadura, o artrópode a substitui por uma nova, ainda mole e distensível, e passa por um período de crescimento rápido, até que ocorre o enrijecimento do novo exoesqueleto. Tendo-se completado a sua solidificação, o crescimento é novamente interrompido, até que nova muda aconteça. O período entre duas mudas consecutivas é o período intermudas. À medida que o animal torna-se mais velho, os períodos de intermudas vão tornando-se progressivamente mais longos, até que as mudas deixam de acontecer, à exceção de alguns crustáceos que sofrem mudas ao longo de toda a vida.

Durante a época da muda, o animal torna-se particularmente vulnerável ao ataque dos predadores, por dois motivos: 

1) a carapaça mole não representa barreira mecânica eficaz,

2) os músculos perdem a sua inserção resistente, e o animal move-se lentamente e por curtas distâncias. No caso particular dos artrópodes terrestres, há uma agravante: a carapaça recém-formada não é tão eficaz para dificultar a evaporação, e os animais estão sujeitos à desidratação.



 



 

Segmentação: os artrópodes são, além dos anelídeos, os únicos invertebrados segmentados, diferindo deles por não apresentarem septos intersegmentares internamente. Também não há repetição dos órgãos internos como nos anelídeos. Durante o desenvolvimento embrionário pode ocorrer, nos artrópodes, fusão entre os metâmeros, tornando menos evidente sua segmentação. É possível entretanto identificar a divisão do corpo em três grandes segmentos, distintos ou fundidos: cabeça, tórax e abdome.
Apêndices articulados: característica que dá nome ao grupo, os apêndices dos artrópodes são formados por articulações móveis. Os apêndices são de vários tipos, estando sua forma relacionada à função que realizam. Entre essas funções podemos citar as de locomoção (patas); captura, sucção e trituração de alimentos (peças bucais variadas, pinças); limpeza do corpo e percepção de estímulos (patas, antenas).

O sistema circulatório de todos os artrópodes é do tipo aberto. O sangue circula sob baixa pressão e com fluxo lento, passando por cavidades, as hemoceles. Uma diferença importante entre o sangue dos artrópodes e os vertebrados é que, nesses últimos, há grande quantidade de células (glóbulos brancos e vermelhos), enquanto nos artrópodes essa quantidade é muito reduzida. Esse sangue de baixa celularidade é conhecido pelo nome de hemolinfa.

Nos crustáceos e nos aracnídeos, artrópodes que empregam o sangue como veículo de distribuição de gases respiratórios (oxigênio e gás carbônico), o sangue contém o pigmento respiratório hemocianina, substância que guarda semelhança com a hemoglobina encontrada em anelídeos e nos vertebrados. Insetos, quilópodos e diplópodos não possuem pigmentos respiratórios, uma vez que a chegada de oxigênio aos tecidos não se dá através do sangue, mas por um sistema de canais chamados traquéias.

Também há diversidade de estruturas de excreção, embora, dentre os artrópodes terrestres, seja comum o achado de tubos de Malpighi, que se diferenciam dos nefrídios por não lançarem os resíduos metabólicos na superfície externa do corpo, mas no interior do intestino. De acordo com o ambiente ocupado por cada grupo, o seu principal resíduo metabólico pode ser a amônia (crustáceos), o ácido úrico (insetos, diplópodos e quilópodos) ou a guanina (aracnídeos). A eliminação de ácido úrico ou de guanina são as mais adequadas para a vida terrestre, pois são produtos pouco tóxicos e que exigem pouca diluição, representando uma boa estratégia de economia de água.

O sistema nervoso é ganglionar, apresentando um grau de concentração de estruturas nervosas na cabeça maior que os invertebrados estudados anteriormente (exceto os moluscos cefalópodos). Essa tendência evolutiva de concentração das principais estruturas nervosas na região anterior do corpo é conhecida por cefalização, e alcança o seu apogeu nos vertebrados.

Apesar disso, a presença de gânglios nervosos nos segmentos dá a eles uma certa autonomia: um artrópode pode executar algumas atividades, até mesmo andar, depois de ter sido decapitado.

As estruturas sensoriais dos artrópodes são eficientes e diversificadas. Há sensores químicos capazes de reconhecer a presença de alimentos ou de inimigos naturais; há receptores de paladar, como aqueles localizados nas patas das moscas; há sensores posturais semelhantes aos encontrados nos demais invertebrados (os estatocistos); receptores auditivos, receptores luminosos, etc.
Reprodução

Os artrópodes são dióicos. Nas formas terrestres, a fecundação é interna; nas aquáticas, geralmente é externa. Em muitos deles, há passagem por um ou mais estágios larvais. A chegada ao estágio adulto (ou imago) se dá através de uma ou mais metamorfoses.

No imago, estão presentes todos os órgãos que caracterizam um adulto da espécie. A designação imago não significa, obrigatoriamente, adulto sexualmente ativo, mas uma forma na qual as estruturas sexuais já se encontram formadas, ainda que imaturas e não funcionais.

Alguns detalhes da reprodução dos artrópodes serão apresentados a seguir, no estudo mais pormenorizado de cada uma das classes principais.

 

Posição Sistemática

 

Reino: Animalia

Sub reino: Metazoa

Filo Arthropoda

Número de espécies

No mundo: 7.000
No Brasil: 329 (não fósseis)

grego: = ouriço; derma = pele

Nomes populares: estrela e ouriço-do-mar, bolacha-da-praia